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Viagens ao mundo nano no CEPID

Palestras abordaram passagens de escalas atômicas até macroscópicas no II Workshop

"O que acontece se a gente arranjar os átomos um por um do jeito que a gente quer?" A pergunta, feita pelo pioneiro na área de computação quântica e introdutor do conceito de nanotecnologia, Richard Philips Feynman, em 1960 – ainda hoje motiva diversas pesquisas científicas.

Simular arranjos e movimentações em nível atômico e verificar seus resultados na constituição dos materiais é foco de muitos trabalhos empreendidos pelo CEPID eScience (Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Engenharia e Ciências Computacionais) da Unicamp. O professor Douglas Galvão, do Grupo de Sólidos Orgânicos e Novos Materiais, do Instituto de Física Gleb Wataghin, mostrou alguns exemplos de como esse trabalho é feito dentro da universidade, em palestra em 20 de maio, no II Workshop do CEPID.

Análises de campos de forças, reações químicas e simulações, via modelagem computacional, de diferentes dinâmicas de formação dos átomos foram apresentadas pelo professor e por outros cientistas que participaram no evento.

Douglas Galvão, que foi autor em artigo publicado na conceituada revista Nature Communications em 2014, apresentou aspectos de um importante material da nanotecnologia, os nanotubos de carbono, usados na indústria de telecomunicações. Simulações de dinâmica molecular e desafios científicos foram abordados. Além disso, foi feito um panorama da literatura disponível no mundo hoje.

O professor também mostrou pesquisa com polímeros, que já resultou até em descoberta para o tratamento em bebês que nascem com hiperbilirrubinemia, uma doença que pode levar à morte. O recém-nascido com icterícia (amarelão) deve ficar exposto à determinada luz, que penetra na pele e estimula que a bilirrubina seja eliminada. Com o polímero aplicado, a fototerapia tem mais resultado.

Pesquisas – Na segunda edição de workshop, cientistas de vários campos se encontraram e trocaram experiências.

Érica Prates, do Instituto de Química, abriu sua apresentação sobre simulações moleculares de enzimas com obras de arte. Quadros com o pontilhismo de Georges Seurat e com as pinceladas de Van Gogh remeteram às pesquisas feitas a níveis atômicos e moleculares em sua relação com a escala visível.

Já Pedro Autreto, do Instituto de Física Gleb Wataghin, mostrou simulações de como nanocones de carbono podem proteger partículas de ouro. Aliando propriedades mecânicas a reações químicas, o pesquisador fez a plateia ver como o nanocone se deforma durante um processo de esmagamento.

O professor Alex Antonelli, também da Física, realizou uma trajetória na história da ciência sobre funções e desafios de sistemas complexos, que podem ser exemplificadas em reações em cordas feitas de nanotubos de carbono. Maurice de Koning, da mesma forma professor do Instituto de Física, integrou mecânica quântica com estatística quântica para falar sobre o comportamento de cristais quânticos. Já o professor do Instituto de Química da Unicamp Miguel San- Miguel tratou de questões relativas à ciência da superfície de materiais.

O II Workshop do CEPID ocorreu na Unicamp, com palestras e minicursos, de 18 a 22 de maio de 2015.

Mariana Castro Alves é jornalista e bolsista Fapesp para divulgação do CEPID Centro de Pesquisa em Engenharia e Ciências Computacionais


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